2020, um ano de...aprendizados (???)

Olá! Queria fazer (juro!) um texto leve para fechar o ano, um texto que servisse de força motriz para o ano que vem.


Tenho observado muita gente falando que 2020 foi um ano de aprendizados. Qual foi o aprendizado? Porque se você me disser que deu um 360º na sua carreira, que aprendeu a cozinhar, fazer pão, parabéns pra você! O aprendizado individual é super importante e necessário, mas 2020 tinha que ser o ano do aprendizado COLETIVO, de pensarmos mais nos outros.


Só vamos sair desse poço se pensarmos na COLETIVIDADE. Aí você me diz “ah mas sou coletivo!”, será mesmo? Vamos a uma lista de pequenas mudanças coletivas que fazem toda a diferença e aí sim, dependendo da resposta, podemos dizer que seu 2020 foi um ano de aprendizados.


  1. Quando sai de casa, você usa máscara? Se sim, usa corretamente cobrindo boca e nariz?

  2. Só porque os bares e restaurantes abriram você precisa ir com frequência e só sair quando ele fecha?

  3. Você acha que pegar uma praia “não dá nada” e, além do mais, “você merece”?



Pois bem, sei que é impossível ficar trancafiado em casa tanto tempo, mas vamos ao menos tentar? Não por nós, pelos outros. Temos mais de 187 mil mortos no país, se olharmos para o mundo isso sobe para 1.706.513 de pessoas mortas. 1.076.513 famílias chorando seus mortos.

O meu aprendizado (com deslizes porque ninguém é perfeito) foi respeitar o sofrimento alheio. Foi me colocar no lugar de quem perdeu um ente querido. Tenho uma grande amiga que perdeu o pai. O pai era dela e eu, bem, eu ainda custo a acreditar que ele se foi. Então eu sei que se eu pensar nos outros antes de mim, todos os lados saem ganhando. Eu mereço ir a praia, mas não vou. Eu mereço, e como queria, visitar a minha mãe (que não vejo tem um ano), mas penso nela antes de mim. Eu mereço, TODOS nós merecemos fazer o que bem entendermos, mas se não pisarmos no freio um pouco, veremos mais famílias desfalcadas. Se você que está lendo, perdeu alguém, sinta meu abraço com o coração bem quentinho.

Se for se encontrar com amigos não tire a máscara para tirar aquela foto, aliás a foto com máscara só prova o aprendizado coletivo que teve.

Mas por que raios eu disse isso tudo? Ontem eu pensava no José Datrino, mais conhecido por Profeta Gentileza. Quem chega ao Rio de Janeiro de ônibus e passa pelo Viaduto do Gasômetro em direção a Rodoviária Novo Rio é agraciado com 56 murais de puro AMORRR, como era a grafia dele, numa explosão de gentileza (que) gera gentileza.

O trecho abaixo foi extraído da Wikipédia sobre o artista Gentileza.

“No dia 17 de dezembro de 1961, ocorreu a Tragédia do Gran Circus Norte-Americano, na cidade de Niterói no Rio de Janeiro, considerada uma das maiores fatalidades em todo o mundo circense. Neste incêndio morreram mais de 500 pessoas, a maioria, crianças. Na antevéspera do Natal, seis dias após o acontecimento, José acordou alegando ter ouvido "vozes astrais", segundo suas próprias palavras, que o mandavam abandonar o mundo material e se dedicar apenas ao mundo espiritual. O Profeta pegou um de seus caminhões e foi para o local do incêndio onde hoje encontra-se a Policlínica Militar de Niterói. Plantou jardim e horta sobre as cinzas do circo em Niterói, local que um dia foi palco de tantas alegrias, mas também de muita tristeza. Aquela foi sua morada por quatro anos. Lá, José Datrino incutiu nas pessoas o real sentido das palavras Agradecido e Gentileza. Foi um consolador voluntário, que confortou os familiares das vítimas da tragédia com suas palavras de bondade. Daquele dia em diante, passou a se chamar "José Agradecido", ou "Profeta Gentileza".”


O Gentileza confortou famílias que ele não conhecia e, se hoje fosse vivo, faria o mesmo. Se não nos ajudarmos, nos protegendo para proteger aos outros, de que adianta ir para as redes sociais e usar hashtags como #amor, #quemamacuida ou #gentilezageragentileza ?

O grande aprendizado é o coletivo e se usado com sabedoria, melhor ainda, pois como Emicida diz “E tudo, tudo, tudo, tudo que nós tem é nós” e, quando sair a vacina, não entre em briga que não é sua, vacine-se. Tomar uma picadinha de nada é a maior prova de AMORRR e GENTILEZA que podemos dar ao próximo.


Que no nosso próximo ano saibamos que não só o livro é importante, mas a sabedoria para empregar o conhecimento adquirido.


Comemorar qualquer coisa esse fim de ano, para mim não tem graça. Não estou com quem queria estar e imagino a dor dessa data para 1.076.513 (e contando) famílias. Comemoro, contudo, que a saúde de meus familiares, amigos e a minha. Isso é sorte.


Seja consciente para que tenhamos um ano melhor e voltemos a nos abraçar o mais rápido possível.



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