Falar em público

Atualizado: Nov 22

Eu não tenho medo de falar em público, tenho extremo pavor! Várias dicas, tentaram me dar (como diria o Mestre Yoda!). Tentei quase todas, confesso, mas sem sucesso. Nenhuma pareceu surtir efeito. Recebi todo o tipo de dicas, das corriqueiras às curiosas.

  • Medite antes.

  • Respire fundo antes de falar, foque o olhar em uma pessoa e manda brasa!

  • Fale pausadamente e caminhe devagar de um lado para o outro. (Quem me deu essa dica deve achar que é exercício físico)

  • Finja que o auditório está vazio.

  • Pense no público pelado. (Sim teve essa, mas como minha imaginação é muito fértil, nem tentei)

  • Faça curso de teatro. (Fui a uma aula experimental e não voltei)

Quem me conhece a fundo sabe que eu sou extrovertida. Para os que vêem só a ponta do iceberg (a grande maioria) eu passo a ideia de ser antisocial e posso até ser mesmo mas, além de ser muito tímida quando não conheço absolutamente ninguém que está ao meu redor, sou extremamente perfeccionista. É possível que meu pavor nem seja falar em público mas pensar na possibilidade de, quando estiver falando, errar. Aí eu me torno minha pior inimiga e fico num confronto terrível entre “vai lá porque você sabe” x “sabe de nada, inocente”. Pior do que ser julgada pelos outros é se julgar.

Os meus sintomas do medo de falar em público (que com certeza advém da síndrome da impostora) são gagueira, esquecimento total de palavras (quem participa do meu TNT sabe do que estou falando), suor gélido misturado com bochechas rosas e quentes, a mão treme e sua muito, respiração encurtada e falar muito rápido. Basicamente uma crise de ansiedade.

Eu não me recordo de ter feito qualquer apresentação sozinha em público na minha vida adulta. Me lembro que na apresentação, que era em grupo, do projeto experimental de fim de curso na minha faculdade não era obrigatório que todos os membros apresentassem o projeto, mas todos deveriam responder questões da banca examinadora. Logo de cara falei que não contassem comigo na apresentação, curioso é que eu respondi as perguntas da banca super tranquila.

Na pós-graduação foi a mesma coisa, como geralmente os trabalhos eram em grupo, eu era aquela que falava por último e por pouco tempo.

Interessante é que, quando criança, não me recordo de ser assim. Eu era bem despachada, fazia teatro na escola, fazia apresentações de ballet (e como eu ansiava pelo dia e amava quando ele chegava!) e, em algum momento da minha trajetória, deixei essa qualidade cair pelo caminho. Enquanto escrevo tive a sensação de que foi na adolescência.


Não vou dizer que ser facilitadora do TNT está me transformando da noite para o dia mas sinto uma leve, bem leve mudança. Continuo tendo quase todos os sintomas, mas consigo disfarçar um pouco melhor, exceto a parte de esquecer todas as palavras do dicionário e talvez ainda gagueje.

Se nesse texto eu viesse com dicas infalíveis de como falar bem em público estaria sendo hipócrita, mas o que posso dizer, e que está me ajudando gradativamente, é sair da sua zona de conforto. Nunca na minha vida eu teria aceitado ser facilitadora do TNT, mas quando me convidaram a primeira coisa que me veio a mente foi “ah é via internet, vai ser moleza!” e me enganei demais.


Quando fiz o meu primeiro encontro eu tive alguns problemas técnicos e eu me culpei por não ter saído como eu esperava. Nesse momento percebi que, mesmo tendo uma tela entre nós, eu ainda sinto medo, mas estou empolgada com essa experiência pois está me dando mais confiança a cada dia! Pensar no tema, bolar as perguntas, todo esse processo já me deixa com vontade que chegue logo o meu horário para ir com medo mesmo. Como na maior parte das vezes tem uma galerinha que já frequenta meu TNT, o que faz com que as conheça melhor, me ajuda a manter um pouco mais de calma.


Se você não tem tanta facilidade ou habilidade em falar em público, o que é normal, ninguém aqui precisa ter todas as habilidades, primeiro deve começar com uma autoanálise para enxergar dentro de si qual o seu maior bloqueio. No meu caso entendi que o medo de errar é que me paralisava (e ainda paralisa). Tente fazer o mesmo com você, se perceba melhor, depois que tiver um rascunho daquilo que te bloqueia enfrente saindo da sua zona de conforto. É duro? É! Para mim, ser o foco das atenções faz com que me cobre o dobro do que naturalmente já faço. Mas o TNT está me ensinando que errar é super normal e que é errando que se aprende.

Eu sempre achei que tinha pouca afinidade com a oratória apesar de tagarelar quando estou entre amigos. Minha paixão desde pequena sempre foi escrever, contudo não vou mentir para vocês que até para redigir acerca desse tema foi difícil.

Na nossa vida existem fantasmas que nos acompanham por muito tempo, aqueles que precisamos matar com urgência e os que, como meu medo de falar em público, recebem pequenas doses diárias de veneno para morrerem devagar e acredito que um dia eu consiga derrotá-los, porque como diz o mestre Lenine “o medo é a medida da indecisão” e nesse histórico de vida até agora perdi oportunidades de mostrar o que sei e quem eu sou para pessoas que não conheço e que, quem sabe, poderiam ter se interessado por alguma ideia minha, agregado em minha vida e eu na deles.

Saibam que tudo na vida tem seu tempo e não adianta tentar agilizar o seu processo só porque a pessoa ao lado foi mais rápida que você. Precisando busque ajuda sem receio, seja de um profissional ou daquele amigo do peito. Eu faço terapia e sinto que tem surtido muito efeito não só na minha vida, entendendo melhor a lidar com adversidades e me conhecendo mais a fundo, mas também na forma como me relaciono com os outros. Precisamos olhar pra dentro de nós, ter ciência das nossas qualidades (e enaltecê-las) e dos defeitos também e assim, pouco a pouco, superamos desafios que nunca pensamos que um dia seríamos capazes. Se conheça, reconheça e floresça.


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